[ stockholm | agosto de 2006 ]
Aliás: desconheço-o.
De todos os cancioneiros de estrada é aquele cuja honesta apreciação mais obriga à labuta da obra. Muito se lobriga antes de se ver e o véu só se rasga a tesouradas de trabalho e estudo; muita transpiração e quase nada de inspiração, portanto. Há que conhecer-lhe as manhas, as mutações, as letras, a vida e o contexto. A história do marco geodésico e do monte que sinaliza. Não sendo douto em nada disto, não me resta mais que dizê-lo sem medo: não posso apreciar Bob Dylan. Como me habita uma preguiça sarnenta, há que dizê-lo sem medo: não me darei ao trabalho de apreciar Bob Dylan.
E como sou mal-educado, há que dizê-lo sem medo: quem diz apreciar Bob Dylan sem a supracitada licenciatura, mas todo iluminado porque se veio a meio da descrição do Todd Haynes, é um cágado nojento armado em artistó-intelectual, todo aprumadinho à negligee, não vão os outros caras-de-camelo duvidar da natureza artistóide do moçoilo, junta-se às manadas que vão tomar café na Miguel Bombarda e ver cinema da Macedónia no Passos Manuel, onde seguidamente vomitam verborreias inócuas em ruidosos latidos, consumidores de cultura com a mesadinha dos papás, parasitas da calúnia e agarradinhos da moda-que-não-se-quer-moda, perfeitos inúteis, perfeitos espectros, perfeitos exemplares de um molde criado por um Monty Python embriagado, perfeitas teclas de pianos desafinados feitas do marfim de elefantes tuberculosos, perfeitos filhos da puta.
Hoje à noite o Passeio Marítimo de Algés estará cheio desta escumalha. A todos eles deixo aqui os meus simpáticos comprimentos - pun intended :')


2 bilhete(s):
Eu sim :)
fica-te bem a inflamação.
lembra-te disso.
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