20080617

porto de há (III)


[ Porto | Agosto de 2004 ]


Recordo-me exactamente do contexto desta foto: ia pela rua em direcção a S. Bento para apanhar o comboio e tinha, por acaso, a Pentax ao ombro. Aproximava-me de uma mãe que tentava controlar a filha que gritava, pedindo qualquer coisa de uma pastelaria ali ao lado. A tentativa de controlo vinha num formato semelhante à birra da pequena e não parecia estar a surtir efeito. Havia pessoas a passar. Havia um autocarro a largar passageiros. Sem saber bem porquê levei a mão à máquina.

Na iminência de me cruzar com elas a filha soltou-se da mãe e tentou fugir para algum lado, o que provocou um minúsculo caos nos transeuntes. Levantei a máquina e disparei quase sem olhar, sem enquadrar, sem focar, sem medir luz, sem porra nenhuma. Não parei. Nem sequer abrandei. Segui sempre.

Quando revelei e digitalizei o rolo não vi nada neste rectângulo, não lhe liguei puto, segui para os outros rectângulos sem abrandar como tinha feito com a tragédia da mãe e da filha birrenta.

Olha, e se calhar com razão!

3 bilhete(s):

Supertatas disse...

a pentax presa ao cordão :')

leandroribeiro disse...

Fio norte, se faz favor ;)

Menina_marota disse...

Uma vida... um momento... e que permanece, mesmo a preto e branco.

;)