[ Porto | Agosto de 2004 ]
Recordo-me exactamente do contexto desta foto: ia pela rua em direcção a S. Bento para apanhar o comboio e tinha, por acaso, a Pentax ao ombro. Aproximava-me de uma mãe que tentava controlar a filha que gritava, pedindo qualquer coisa de uma pastelaria ali ao lado. A tentativa de controlo vinha num formato semelhante à birra da pequena e não parecia estar a surtir efeito. Havia pessoas a passar. Havia um autocarro a largar passageiros. Sem saber bem porquê levei a mão à máquina.
Na iminência de me cruzar com elas a filha soltou-se da mãe e tentou fugir para algum lado, o que provocou um minúsculo caos nos transeuntes. Levantei a máquina e disparei quase sem olhar, sem enquadrar, sem focar, sem medir luz, sem porra nenhuma. Não parei. Nem sequer abrandei. Segui sempre.
Quando revelei e digitalizei o rolo não vi nada neste rectângulo, não lhe liguei puto, segui para os outros rectângulos sem abrandar como tinha feito com a tragédia da mãe e da filha birrenta.
Olha, e se calhar com razão!


3 bilhete(s):
a pentax presa ao cordão :')
Fio norte, se faz favor ;)
Uma vida... um momento... e que permanece, mesmo a preto e branco.
;)
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